2025 foi um ano exigente no que toca à tecnologia. Inteligência artificial, modelos de linguagem (LLMs), soberania digital e regulação estiveram na ordem do dia e desafiaram até as equipas mais preparadas.
As organizações procuraram otimizar os seus sistemas, enfrentaram cenários de risco mais complexos e reconheceram que os dados passaram a ser um dos pilares centrais das suas operações. Os números ajudam a perceber o que mudou e onde estão hoje as principais preocupações do mercado nacional.
Durante o mês de dezembro revelamos o Oramix Tech Wrapped, com as principais notícias, tendências e novidades que marcaram o setor tecnológico em 2025. Acompanhe-nos semanalmente para novos indicadores e em vídeo no nosso perfil de LinkedIn.
Data Management
2025 reforçou que a competitividade depende, cada vez mais, da qualidade dos dados. As organizações querem tirar partido da inteligência artificial, mas continuam a enfrentar desafios estruturais que não se resolvem apenas com tecnologia. Dados dispersos por silos, baixa confiança na informação disponível e processos pouco preparados para alimentar modelos de forma consistente continuam a limitar a capacidade de execução.
A escala do investimento europeu mostra bem a importância estratégica do tema. O mercado de enterprise data management deverá atingir 34,6 mil milhões de euros até 2030, de acordo com a Grand View Research, colocando os dados no centro das estratégias de modernização.
Ainda assim, a capacidade real de inovação permanece limitada. Apenas 12% das organizações afirmam ter dados com qualidade, contexto e acessibilidade suficientes para suportar IA. O mesmo estudo indica que 67% dos líderes não confiam totalmente nos dados usados para a tomada de decisões críticas e que 62% identificam a fraca governação como o principal entrave à adoção de IA. Estes números mostram um desfasamento claro entre ambição e capacidade real de execução.
Este padrão repete-se noutros estudos. Segundo dados publicados pela IT Insight, 84% dos líderes de dados acreditam que as suas estratégias precisam de ser revistas para sustentar iniciativas de IA, sobretudo devido à baixa qualidade dos dados, à falta de contexto e às dificuldades de integração entre sistemas. Sem dados consistentes e fiáveis, a IA perde valor e as decisões tornam-se menos robustas.
Esta pressão tornou mais visível a importância de pipelines automatizados e da observabilidade. Organizações que investem em monitorização contínua e automação conseguem detetar falhas mais cedo, reduzir retrabalho e entregar dados prontos para IA.
No Oramix Tech Wrapped, a gestão de dados afirma-se assim como um dos pilares a observar, com impacto direto na inovação, na eficiência operacional e na capacidade de decisão.
Para 2026, destacamos três tendências a acompanhar na área de data management:
- Dados como ativo estratégico: dados integrados e fiáveis que fortalecem a tomada de decisão.
- Automação das operações de dados: automação como motor de eficiência, foco estratégico e modernização do negócio.
- Dados preparados para IA: pipelines e métricas orientados à IA garantem escala, qualidade e impacto.
Cibersegurança
O risco digital está a aumentar e 2025 deixou isso bem claro. 86% das organizações inquiridas pela Fortinet foram alvo de ataques ao longo do ano, com quase um terço a enfrentar cinco ou mais ameaças. Em simultâneo, as organizações enfrentam uma lacuna crítica de talento em cibersegurança. A mesma pesquisa aponta que 54% dos inquiridos identifica a falta de competências em cibersegurança e a escassez de técnicos qualificados como sendo a principal causa de violações de segurança.
Por outro lado, a ENISA aponta números preocupantes no seu mais recente relatório. 40% das organizações nacionais inquiridas afirma que nos últimos 12 meses não realizou nenhum tipo de avaliação ou teste de segurança, sejam estes auditorias técnicas, ações de pentesting ou avaliações de maturidade.
Os números são difíceis de ignorar. O mais recente relatório do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) revela que os incidentes de cibersegurança notificados em Portugal dispararam em 2024. Foram registados 2758 incidentes, um aumento de 36% face ao ano anterior. E embora os números se reportem a 2024, 90% dos profissionais de segurança inquiridos perspetiva que este risco aumente em 2025.
Num Tech Wrapped dedicado à cibersegurança, não podemos deixar de destacar as ameaças que mais cresceram. Em 2025, phishing e smishing, burlas online e ransomware destacam-se no quadro de ameaças. Estes ataques exploram falhas humanas, sistemas desatualizados e acessos mal protegidos, obrigando as organizações a acelerar a adoção de medidas de proteção, reforçar políticas de identidade e rever mecanismos de autenticidade.
Com 94% das respostas, a tecnologia emergente mais frequentemente considerada desafiante foi a inteligência artificial, que ganha destaque na deteção e resposta a ameaças. O zero trust deixou de ser tendência e passou a ser prática. E a automação tornou-se essencial para responder ao ritmo dos incidentes.
2025 ficou também marcado pela publicação do Decreto-Lei n.º 125/2025, a 4 de dezembro, que transpõe a NIS2 para o quadro jurídico nacional. Mas a cibersegurança não se decreta por lei. A transposição da diretiva é um passo positivo, mas é apenas o início da definição e implementação de medidas que levam à resiliência das organizações.
Para 2026, o Oramix Tech Wrapped destaca 3 áreas a não perder de vista:
- Automação: na resposta a incidentes e operações de segurança, de modo a mitigar a escassez de recursos técnicos especializados no mercado e acelerar a adoção de boas práticas;
- Transposição da NIS2: com visão estratégica ao mais alto nível das organizações, garantindo um investimento continuado em segurança e maturidade dos processos necessários;
- Evolução da IA: atenção redobrada a novas técnicas de exploração de vulnerabilidades e apoio à cibersegurança com recursos a soluções mais preparadas e capazes.
Estas três tendências apontam o caminho: organizações mais preparadas, mais resilientes e capacitadas para responder aos desafios de um mundo digital em evolução acelerada.
Transformação Digital
A transformação digital consolidou-se como uma prioridade operacional, com as organizações nacionais a apostarem na redução de complexidade, optimização de custos e aceleração de processos. Cloud, inteligência artificial e automação deixaram de ser iniciativas pontuais para se tornarem parte da estratégia corporativa.
A dimensão dos investimentos anunciados demonstra bem o ritmo de mudança neste setor. A Microsoft confirmou um investimento de 10 mil milhões de dólares para transformar Sines num polo tecnológico global. Este tipo de investimento coloca Portugal como peça central da infraestrutura digital europeia, com vantagens estratégicas: localização atlântica, conectividade via cabos submarinos e energia potencialmente renovável para alimentar data centers intensivos.
Já na área de inovação, e de acordo com o estudo “Digitalização das Empresas em Portugal”, conduzido pela GfK, mais de 96 mil empresas adotaram inteligência artificial e um terço das PME nacionais apostou em automação. A tendência é clara e está a ganhar escala.
Mas a aposta na modernização não ficou por aqui. O multicloud consolidou-se como prática dominante, com 79% das organizações a recorrer a vários fornecedores de cloud. Cada vez mais, as equipas de TI procuram alternativas, redundância e modelos que reduzam dependências críticas.
Neste Oramix Tech Wrapped destacamos 3 áreas a observar em 2026:
- Automação: aposta em processos consistentes, padronizados e menos susceptíveis ao erro humano;
- Virtualização: com vista à criação de ambientes tecnológicos mais modernos, ágeis e flexíveis;
- Infraestruturas híbridas: flexibilidade operacional real, que permite escalar a infraestrutura à medida das necessidades.
As tendências que destacamos apontam ao mesmo objetivo: infraestruturas mais robustas e preparadas para a complexidade tecnológica dos próximos anos, serviços mais rápidos e operações capazes de acompanhar o ritmo do negócio.
Oramix Tech Wrapped: o que os números revelam
O Tech Wrapped de 2025 deixa uma leitura clara: a tecnologia deixou de ser um acelerador opcional e passou a ser um fator estrutural de competitividade. Transformação digital, cibersegurança e gestão de dados evoluíram pressionadas por contextos regulatórios mais exigentes, riscos mais visíveis e expectativas crescentes sobre eficiência e capacidade de decisão.
Os números apresentados ao longo do artigo mostram um mercado em transição. Há investimento, há intenção estratégica e há tecnologia disponível. Mas há também lacunas evidentes em maturidade operacional, governação e execução consistente. Em muitos casos, o desafio já não está em escolher ferramentas, mas em alinhar processos, pessoas e dados com objetivos de negócio claros.
O que distingue as organizações mais preparadas é a capacidade de transformar complexidade em controlo: dados fiáveis, infraestruturas flexíveis e modelos de segurança integrados na operação. É neste equilíbrio que se constrói resiliência e se cria espaço para inovação sustentável.
O Oramix Tech Wrapped continuará a acompanhar estes indicadores ao longo de 2026, ajudando a interpretar tendências e a enquadrar decisões num contexto tecnológico cada vez mais exigente.
